sábado, 18 de junho de 2011

Hortas na Avenida de Liberdade

Passeio Público

No dia em que a Câmara Municipal de Lisboa, numa iniciativa que pretende incentivar a produção nacional, decidiu transformar a Avenida da Liberdade numa horta, onde se pretende realizar um chamado mega-piquenique, talvez valha a pena recordar, por curiosidade na relação dos factos, que aquele foi um espaço de hortas, pertencente à casa nobiliária dos marqueses de Castelo Melhor, adquirido por Marquês de Pombal para a construção do antigo Passeio Público da cidade. Jacome Ratton, nas suas Recordações editadas em 1817, confirma que ali terão existido umas hortas, as chamadas hortas de Cera, onde terá sido despejado todo o entulho proveniente da derrocada dos edifícios, aquando do terramoto de 1755.
Dos viveiros da Barca d’Alva, propriedade do mesmo Jacome Ratton, terão saído todas as árvores freixos que ali foram posteriormente plantadas, transformando o espaço até 1836, de acordo com notícia publicada no Universo Pittoresco, em 1840, num bosque de 300 metros de comprimento, “todo murado, com 15 janelas de grade por banda”. Em 1838 a obra terá finalmente terminado com a substituição de alguns dos tapumes provisórios por portões de ferro, no lado do Rossio, a anexação do largo onde, até então, se realizava a Feira da Ladra e a iluminação a gás, que funcionaria apenas no verão.
Desse espaço existem memórias impressas, uma delas desenhada por Barbosa Lima e gravada por José Maria Baptista Coelho, o que nos permite lembrar que o referido Baptista Coelho nasceu em 1812 e faleceu em 1891, duas datas que mereciam a atenção de Lisboa, a cidade a que, como gravador, o mesmo Baptista Coelho mais tempo dedicou, deixando-nos uma obra gráfica notável, mas também uma relevante e indispensável fonte histórica e cultural.

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